Monday, February 20, 2006

Um passeio no parque...

Estava Sol. Bom tempo. O tempo ideal para sair de casa e ir dar uma volta.

Um passeio pelo parque.

Por entre o verde, o castanho, o cinzento e o arco-íris de sentimentos que se cola ao pêlo num lugar tão naturalmente calmo.

É que aquilo de se estar trancado entre quatro paredes já não estava a dar com nada.
Um tipo cansa-se disso.

Ar puro.
Do bom e do fresquinho.
Daquele que sai das árvores e da relva e de todas as outras vegetâncias que por aí abundam.
Foi a panaceia que me curou todos os males.

E em menos do esfregar de um olho me pus em tal anfiteatro de cheiro a gardénia e a malmequer.

Os pássaros, irrequietos em toda a sua ligeireza, chilreavam em odes à Mãe Natureza.
As pessoas, aqui e ali de mão dada, andavam na passeata com a tranquilidade de para quem a vida não é sinónimo de azáfama.
E os amigos... ah, os amigos... os meus amigos... os meus cupinchas, esses encontravam-se - como que em repetição de tempos de antanho - no sítio do costume.

E estes tempos... que bons tempos voltaram a ser!

Como corremos e saltámos.
Como tropeçámos e solenizámos.
Como divertimo-nos e divertimos quem via a alegria de quem comemora a vida em boa companhia!
Foi mais do que sadio. Foi bom.
Foi mais do que bom. Foi doce.
Foi doce. Foi muito doce, mas...

Nada dura para sempre. A eternidade é apenas um mito.

Foi chegado o momento em que se mostrou iminente o regresso ao lar.

Antes, porém, e aproveitando o facto de ninguém estar a olhar, aliviei-me ali contra uma árvore.
Depois, despedi-me dos meus companheiros de galhofa e segui de novo rumo àquele local de poiso que me inspira segurança e que é, ao mesmo tempo, a minha prisão.

O regresso ao lar.

Feito no piscar do olho que ficou de sobra.

E, à minha espera, na soleira da porta, lá se encontrava: Ele.

Ele, que com palavras desmedidas me brindou com discurso repisado:

- "Ó Maria, então tu voltastes-me a deixar a porta de casa aberta? Qualquer dia é que nunca mais vemos o bicho! E tu, já para dentro! Não podes sentir uma correntezinha de ar que é logo rua! Casa! Já!... Raios parta o animal!"

Palavras fortes. Palavras feias. Palavras amargas.
Que queimam a minha liberdade.

Porque não posso eu sair quando quero, se quero, e para onde quero?
Que injúrias terei eu feito para merecer tamanha cláusula de inferioridade?
Porque sou eu vítima desta absurda necessidade de mostrar quem é o dono e quem é o vassalo?

E porque tenho eu de me deixar subjugar?

Tanta pergunta... e tanto injusto obscurecimento na resposta.

Desisto. Resigno-me. Renuncio à luta com a mais mundana das complacências.

Dou-lhe a faca e o queijo.

E é fingindo ouvidos moucos às cruéis palavras do velho, tristonho e cabisbaixo, que me deito na minha cesta e me dedico a lamber os meus próprios tomates.

Wednesday, February 15, 2006

Ahhhh, um soneto....

Werther


Chegaste àquela vila.
Assentaste e, subitamente,
Sem o medo de quem vacila
Apaixonaste-te perdidamente.

Desgraçada e enorme estupidez!
Jovem , casada e amiga,
Amor impossível que te fustiga,
Destino cruel, ignota cupidez!

Quizeste tudo, fizeste nada!
Pobre alma desesperada
Seca as lágrimas e desaparece!

E se esse amor não desvanece,
A morte a tudo traz paz e calma!
Some-te! És um cancro na minha alma.

Tuesday, February 14, 2006

O DIA MAIS FELIZ DA MINHA VIDA!

Não. Não foi hoje...

Wednesday, February 08, 2006

Máximas e Aforismos

Nunca vás para uma entrevista de emprego com tenesmos...

Tuesday, February 07, 2006

Máximas e Aforismos

Aconteça o que acontecer, amanhã vai ou não vai chover....


Se escorregares numa banana és capaz de partir os cornos....

Sunday, February 05, 2006

O quadro e a moldura (exempli gratia)

As gajas, putas de merda!





Como gosto de mulheres! Admito-o frontalmente e sem qualquer pudor!
Não que delas queira usar e abusar, muito pelo contrário, é que as mulheres são seres magnificentes, de beleza e singeleza ingentes e de modos e costumes, sinceramente, pungentes!
E digo isto a despeito de haverem pessoas que não gostam de mulheres. Não me julgem erroneamente.
Como é magnifíco estar apaixonado por uma mulher! Chamá-la de princesa, xuxu, pititi, trigresa e até mesmo, nhónhó!
Sentir saudades nem que seja só de a ver a passar por breves segundos, almejar a sua pele, o seu sorriso, as suas mais infímas e particulares idiossincrasias!
A sua risada matreira, o semblate chateado quando me armo em parvo, o corpo suado na cama, tudo isto: como é bom gostar de mulheres!
Se há um Deus, bendito seja por ter criado as mulheres. E por em mim tem inoculado tamanha admiração.
As mulheres fazem-nos sofrer? Claro que nos fazem sofrer! E quão bem sabe sofrer, assim ensimesmado, por uma mulher!
Dói, pois dói! Mas é dor que vale a pena! Porque tudo vale a pena quando a mulher está por perto!
Suspiro, suspiro todos os dias por uma mulher, uma mulher que não me quer ou um homem que sabe que aquela mulher o não quer. Ahhhhh....
Fiquemos assim, a pensar no portento de gostar de uma mulher, de estar apaixonado e de se ser assim, DIFERENTE!





Mas do que eu realmente gosto é de cona!

O quadro e a moldura

Há uns anos atrás fui tomar uma bebida com uns amigos num café mesmo em frente ao teatro S. Luís. Combinei com um amigo meu que por sua vez combinou com um amigo dele. Nunca gostei do tipo, nem um bocadinho: é arrogante (como eu), tem a mania que sabe tudo (como eu) e julga que é lindo de morrer (claro, como eu). No entanto, balbuciou uma frase que me fez pensar (não muito): o que interessa não é o quadro; o que interessa é a moldura.

De facto, é um ponto de vista deveras interessante. Quer queiramos quer não todo o objecto tem a sua exterioridade. Ou seja, à parte da coisa em si (Emmanuel Kant dá uma volta na campa) existe tudo o resto. Quando vemos um quadro sem moldura, de facto a moldura está lá: É tudo o resto. (A sala, a parede, o intelectual do lado direito de olhar inquisidor, etc.).

Mas então e o quadro? Bem, o quadro está lá e olhamos para ele e concentramo-nos nele. Eu cá prefiro olhar para o quadro! Da mesma maneira que julgo as pessoas por si mesmas e não pela sua moldura ou leio um livro abstraindo-me do seu contexto exterior (contexto que não deixa de ser importante claro!).

Uma questão pertinente que se coloca, posto isto, é: seremos capazes de nos abstrairmos da moldura objectivamente e conscientemente?
Resposta: Duvido, por muito que queiramos, por muito que desejemos, por muito que tentemos é-nos dificílimo abstrairmo-nos da exterioridade subjectiva de um objecto. É uma questão de enquadramento: prestamos demasiada atenção ao princípio e ao fim: ao prólogo e epílogo; ao nascimento e à morte; ao desejo e à realização; ao reino dos infernos e ao reino dos céus...

Cabe-nos então viver a vida como se fossemos uma laranja, sem ligar muito à casca e aproveitando o melhor que vem do sumo (às vezes não é muito bom)....

Assim disse....